sexta-feira, maio 05, 2023

MONUMENTO AO BOMBEIRO 2016 PORTUGAL ESPOSENDE

MONUMENTO AO BOMBEIRO

Possíveis linhas de leitura
Poucas pessoas serão capazes de levar a solidariedade e o altruísmo até ao limite: chegar àquele ponto, sem retorno, onde a própria vida pode acabar para dar lugar ao “eternamente morto”. O Bombeiro é o paradigma dessa espécie de seres “fronteiriços” que abrem a coragem e o arrojo solidários aos âmbitos da transcendência. Como se estivessem animados de poderes demiúrgicos, próprios de super-homens, ou de seres que sabem habitar esse espaço fronteiriço entre a vida e a morte, entre o mundo e o mistério, ou sabem fazer a mediação entre os homens e os deuses. Por isso são tão especiais, povoando os sonhos de todas as crianças, cujas memórias nelas irão perdurar até que a vida se cumpra para sempre. E porque, seja qual for a situação de perigo ou de tragédia eminentes, lá aparece aquela mão amiga estendida, uma mão aparentemente vulgar, mas capaz de segurar o mundo inteiro para que a vida possa continuar a fluir, a ser a nossa vida. Por isso, quando ouvimos a sirene, ou vemos um rosto parecido com o nosso, perdido dentro daquele enorme capacete, sentimo-nos invadidos pelo assombro e pelo fascínio, porque vai ali um ser muito especial cujo sentido de vida se funda e se esgota em poder “segurar” a vida dos outros; mesmo que a própria vida seja o último preço a pagar.
Cabe, verdadeiramente, à arte interrogar sobre a condição humana: donde viemos, o que fazemos aqui, e qual será o nosso destino final. Embora se trate de três questões apenas, as perguntas e respostas parecem não ter fim: e cada resposta acaba sempre por se transformar em nova pergunta, centrada no que parece ser um único mas irresolúvel problema: “Afinal, o que somos nós?” E, chegados à problemática do “ser” e do “haver”, nos dias que correm, quase só a filosofia e a arte é que fazem do “ser” a questão maior, enquanto o «mundo pula e avança» narcotizado pelas referências materiais, em cenários de egoísmo generalizado, ou mesmo de horror.
Oxalá o bronze e a pedra possam suscitar emoções e sentidos multidirecionais em cada observador. E, porque o capacete pode não ser apenas um capacete, ou a pedra pode não ser apenas uma base de pedra, aqui fica o desafio para que todos possam e devam fazer as «suas» próprias leituras, porque há sempre uma porta por abrir. Basta, então, que cada um se deixe levar ao sabor das suas emoções, sem influências alheias, porque o encontro com a arte será sempre um encontro pessoal, íntimo e radicalmente singular. Oxalá o bronze e a pedra possam ser símbolos de eternidade para todos aqueles que, tanto no passado, como no presente ou no futuro, deixaram ou venham a deixar marcas indeléveis e exemplos superiores de nobreza, generosidade solidária, coragem e despojamento.
O nosso profundo agradecimento ao Sr. Presidente da Câmara por continuar a acreditar que a arte pode ser o símbolo maior de um povo. Só os símbolos podem apelar à transcendência e é através deles que as construções materiais, para além de serem essenciais, podem ser enobrecidas pela presença, o mais das vezes discreta, da obra de arte. Porque a obra de arte é o complemento essencial para que a humanidade se cumpra em plenitude. Bem-haja pelo seu empenho e testemunho.
Também vai o nosso agradecimento para a Ex.ma Direção dos Bombeiros, pela ajuda na definição das ideias que assistiram à cristalização deste projeto. E, naturalmente, de um modo muito especial para todo o corpo valente e generoso dos Bombeiros. Sentimo-nos honrados pelo desafio que nos foi proposto. Agora, só o futuro é que poderá dizer se estivemos à altura do momento. Um bem-haja a todos.
Os autores:
Mendanha
Nuno Mendanha
2016




















quinta-feira, maio 04, 2023

ESCULTURA "PROFETA 2020"


Um diálogo feito de silêncio...











 

terça-feira, março 28, 2006

terça-feira, março 07, 2006

Pinturas de António Mendanha


Pintura acrílico 1999 Título"A Iconosfera de Sebastião Salgado" 200cm x 535cm
Sebastião Salgado é porventura um dos melhores fotojornalistas do mundo. O seu rosto esconde-se por detrás de milhares de rostos que, ao longo da sua carreira, foi fotografando por todo o mundo. Rostos de crianças, de idosos, rostos de dor, de sofrimento, rostos inocentes e rostos de esperança. Expressões retratadas de uma maneira tão real que, no seu conjunto, nos mostram o verdadeiro rosto de Sebastião Salgado.




















Pintura a óleo Ano 2004 Título:"Joan of Arc" 200cm x 90cm
Now the flames they followed Joan of Arcas she came riding through the dark;no moon to keep her armour bright,no man to get her through this very smoky night.She said, "I'm tired of the war,I want the kind of work I had before,a wedding dress or something whiteto wear upon my swollen appetite."Well, I'm glad to hear you talk this way,you know I've watched you riding every dayand something in me yearns to winsuch a cold and lonesome heroine."And who are you?" she sternly spoketo the one beneath the smoke."Why, I'm fire," he replied,"And I love your solitude, I love your pride."
"Then fire, make your body cold,I'm going to give you mine to hold,"saying this she climbed insideto be his one, to be his only bride.And deep into his fiery hearthe took the dust of Joan of Arc,and high above the wedding guestshe hung the ashes of her wedding dress.
It was deep into his fiery hearthe took the dust of Joan of Arc,and then she clearly understoodif he was fire, oh then she must be wood.I saw her wince, I saw her cry,I saw the glory in her eye.Myself I long for love and light,but must it come so cruel, and oh so bright?
(letra e música de Leonard Cohen)